Pintura ao vivo: do palco do Art Battle ao meu ateliê em Embu das Artes

Pintar diante das pessoas sempre fez parte da minha caminhada. Neste mês voltei a subir num palco de Art Battle Brasil: primeiro na noite do Art Battle Brasil #87, dia 18 de junho, com 16 artistas pintando ao vivo em 20 minutos (o vídeo dessa noite está no meu canal do YouTube), e poucos dias depois numa nova edição no Mogi Shopping, no dia 20/06. Já contei os detalhes dessa tarde de duas telas em outro texto aqui do blog. O que quero dividir agora é o que acontece depois que a última pincelada sai e eu volto pro ateliê.

O relógio que fica na cabeça

Numa batalha, o tempo é o adversário mais presente. Vinte minutos, quarenta e cinco minutos, e a tela precisa existir, com o público em volta decidindo quem segue para a próxima rodada. Quando essa pressão acaba e eu chego em casa, ela não desliga de uma vez. Fico mais rápido nas primeiras pinceladas de qualquer quadro novo, como se o corpo ainda estivesse no palco. Depois o ritmo volta ao normal, mas aquela decisão de pincelada única, sem espaço para hesitar, fica comigo por uns dias.

O ateliê, minha arena de todo dia

Fora dos palcos, a pintura continua acontecendo no meu ateliê em Embu das Artes, na Rua Nossa Senhora do Rosário, 42B. Aos sábados e domingos recebo quem quiser passar para ver as obras de perto, e durante a semana é só combinar antes. Não existe outro jeito de sustentar um trabalho de qualidade: é rotina, é presença todo dia diante da tela, com ou sem gente assistindo.

De onde vem essa pressa: 2003

Essa desenvoltura de resolver uma pintura rápido, em qualquer condição, não nasceu no Art Battle. Vem de muito antes. Guardo até hoje um quadro que pintei em 2003 usando látex PVA de parede, porque na época não tinha dinheiro para tintas melhores. Foi ali que aprendi a trabalhar com o que eu tinha nas mãos, sem esperar o cenário ideal para começar. Décadas depois, quando alguém me dá uma tela em branco e 45 minutos no relógio, é essa mesma disposição que aparece: resolver com o que existe, sem travar.

Do látex de parede às tintas que uso hoje, o que sustenta tudo é a mesma vontade de pintar, com ou sem plateia, com ou sem cronômetro.

Outras batalhas, outros ângulos

Se você quer o relato completo daquela tarde no Mogi Shopping, com as duas telas e o sorteio para o público, escrevi sobre isso em Art Battle no Mogi Shopping: duas telas de 80x100 em uma tarde. E se o que te interessa é como a temática indígena entra numa arena de pintura cronometrada, tem mais nesse outro texto: Arte indígena com o cronômetro correndo.

Acompanho e registro esses momentos no Instagram e no YouTube.

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